Nova Igreja de Valler, Noruega

VA1

O projecto apresentado resulta da intenção de criar um centro cívico e religioso, que funcione como uma ponte entre o passado e futuro. Que materialize a ideia de memória colectiva e que também crie uma arquitectura funcional, imponente e que prevaleça no tempo como reflexo da comunidade de Valer.

Propõe-se que o conjunto arquitectónico seja constituído por um percurso que articule os elementos pré-existentes no local (cemitério, capela). Para além de articular os espaços e caminhos pré-existentes do cemitério , o percurso principal conecta os dois momentos de maior relevo da proposta, o memorial e a nova igreja

memorial sugere a forma original da antiga igreja, simbolizando a relação com o passado. A nível funcional, caracteriza-se como espaço de permanência(poderão ocasionalmente ocorrer eventos culturais) e de distribuição do cemitério.

O percurso principal culmina com o altar, local de reunião e culto, que representa a passagem de um caminho terrestre para o encontro com o divino, representado pela verticalidade e luz. Esta transição é definida formalmente pela cobertura que se molda entre a morfologia predominantemente horizontal do cemitério (escala humana) e a vertical do bosque (divina) onde esta igreja se encaixa. O ponto mais alto da igreja poderá ser avistado de longe, em todo o seu redor, impondo-se na paisagem como uma referência de Valer.

percurso principal, que articula o estacionamento, memorial, cemitério e a nova igreja, termina no altar. Embora exista uma transição entre o exterior e o interior, pretende-se que esta seja feita de uma forma fluida através de uma zona exterior coberta, e visualmente permeável, que liga este dois momentos. Este espaço de transição torna-se ele próprio num convite à entrada na igreja.

interior da igreja encontra-se definido pela estrutura que suporta a cobertura. Esta é constituída por 360 “painéis estruturais de madeira”, que giram em torno do altar. Ao volume criado pelo conjunto dos painéis são subtraídos os espaços interiores da igreja. O interior da igreja é definido por uma “nave central” rodeada por uma galeria.

É na “nave central” onde se realizam as cerimónias de maior importância, sendo que o eixo desta coincide com a diagonal do quadrado onde se insere. Em torno deste espaço existe uma galeria que alberga as todas outras funções necessárias à igreja. Os espaços de passagem e permanência são definidos pelas diferenças de largura que a galeria vai assumindo. No caso dos espaços que, pela sua natureza funcional, exigem maior grau de privacidade (como casa de banho, sala multi-usos e bengaleiro) são adicionados volumes opacos, independentes da estrutura principal.

estrutura entre estes dois espaços é permeável e mantém a ligação visual entre o utilizador e o altar, impossibilitando no entanto que quem assista à celebração tenha contacto visual com quem percorre a galeria. Este contacto apenas é feito no sentido do altar para a saída da igreja. O altar assume-se como o elemento central, não só da estrutura, do percurso, como também da própria cerimonia. A importância deste elemento é sublinhada pelo lanternim, recortado no vértice superior da estrutura, que faz conduzir um feixe de luz sobre o altar.

Equipa:

Pedro Verde – arquitecto

Duarte Almeida – arquitecto

João Serafim – arquitecto