Hotel na Lagoa Quilunda – Luanda, Angola

Implantação

Lugar e clima

O terreno localiza-se na margem sul da bacia hidrográfica do Rio Bengo, e é atravessado no sentido Norte Sul, por uma linha de festo secundária, proporcionando uma relação visual fortemente marcada pela presença do vale e da Lagoa Quilunda. A vegetação é predominantemente rasteira, e a paisagem é marcada pela presença de embondeiros.

O clima nesta região enquadra-se na categoria ‘As’ , Tropical com estação seca, sendo que a maioria da pluviosidade anual está concentrada nos meses quentes de Março e Abril. A temperatura média anual varia entre os 20º a 28º e os ventos predominantes são de oeste.

Pelas características morfológicas e climáticas do lugar, a água surge como factor estruturante da paisagem e como elemento gerador de vida, sendo que a sua abundância ou escacês, moldam a paisagem e o modo de vida local.

Na parcela Norte do terreno, existe actualmente um pequeno empreendimento, caracterizado por uma construção dispersa, mas encaixada na paisagem local.

Analisadas as características morfológicas e climáticas, do lugar conclui-se que:

– A proposta deverá valorizar as relações visuais com o entorno paisagístico.

– Deverão existir espaços de sombra que permitam uma transição fluida entre interior e exterior.

– A água deverá ocupar um carácter estruturante na organização da proposta, sendo que a sua armazenagem, e o seu potencial de refrigeração deverão ser explorados.

PaineisV7

Proposta

De forma a tirar partido da paisagem, moldar a linha de horizonte, e tirar partido dos ventos de oeste, propõe-se redesenhar a linha de festo, encaixando o projecto ao longo desta.

Tendo em conta as premissas anteriormente descritas, a proposta resulta num projecto linear, composto em três momentos.

O primeiro recebe os visitantes e e articula o resort com as construções pré-existentes. Este espaço consiste numa grande praça coberta com tecido, construída sobre a cisterna que armazena as águas pluviais. A praça poderá ser utilizada para eventos culturais, e é limitada pelos edifícios da recepção, sala multiusos, instalações sanitárias, arrumos e área técnicas.

O segundo momento é constituído pelo conjunto das unidades de alojamento. Estas orientam-se no sentido este-oeste tirando partido da paisagem, da circulação de ar e da sombra potencialmente produzida pelo módulo contíguo. Todas elas são organizadas em torno de um espaço central, que gera uma zona penumbra semi-exterior, marcada verticalmente pela luz zenital proveniente de um lanternim, e horizontalmente pelo vão de 1,2m de altura, que enquadra o horizonte de quem está sentado. Sob o lanternim, existe uma bacia recortada no pavimento que tem a função de recolher as águas pluviais, e encaminha-las para a cisterna da habitação, que por sua vez está ligada à cisterna principal. O lanternim, também cumpre um papel importante na climatizarão do espaço interior, pemitindo que o ar quente saia pela cobertura.

O final do percurso, é composto por três volumes que cumprem as funções de restaurante, balneários, bar e zonas técnicas. Estes volumes orientam o percurso de entrada no espaço de recreio do empreendimento, e enquadram a vista da piscina sobre o vale.

Formalmente, todo o conjunto segue o principio acima descrito da modulação territorial, redesenhando a linha de festo. Desta forma, propõe-se que o edificado seja construído recorrendo a uma estrutura mista de betão com terra comprimida, garantindo-se assim a eficiência energética, e um prolongamento cromático do terreno, tirando-se partido do material mais abundante no local, a sua própria terra.



 

 

Equipa:

Duarte Almeida – arquitecto

Bruno Antão – arquitecto 

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