Casa na Abuxarda

Orto

A localidade de Abuxarda localiza-se entre o Parque Natural de Sintra e a costa atlântica de Cascais. Dali ainda podemos avistar a serra e o mar, a norte e a sul respectivamente, e podemos sentir a presença estruturante destes elementos naturais.

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O vento forte que lá se sente percorre o vale ligando os dois pontos, e os pinheiros que habitam o terreno estão vergados pela violência diária do fluído.

As construções deste lugar são de diferentes escalas e usos, não apresentam relação entre si, nem estabelecem uma ordem urbana inteligível.
A norte, o nó A5-A16 quase faz desaparecer a serra.
A sul, a construção implantada numa cota mais alta, e com volumetria excessiva, não permite uma abertura franca nesta direcção.

O lote do projecto tem uma configuração aproximadamente quadrada dividida em dois pelo talude que o atravessa. Desta cisão resultam momentos diferentes: um na cota alta onde a topografia é mais estável; outro caracterizado pelo declive acentuado do terreno que desce até à cota baixa.
Os desejos de dominar a paisagem, a contenção orçamental, e algumas condicionantes regulamentares ditam à partida a implantação da casa na cota alta acessível pela rua da Fonte Velha.

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“… un paisaje aumenta en belleza cuando se enmarca y delimita propriamente.”

BARRAGÁN, Luís, Gardens For Envirement. Jardines de El Pedregal in Escritos y Conversaciones, pp. 36-40. Madrid: El Croquis Editorial, 2000

As condições climatéricas deixam clara a necessidade de um espaço protegido. Pensa-se um pátio com energia suficiente para caracterizar a vida contida no interior das paredes protectoras. Um espaço “vazio” que se encha com a luz vinda da abertura diagonal que permite resgatar o vale para o interior da casa.

A abertura do pátio para o exterior é reforçada pela implantação estratégica da sala, rodada a 45º, e pela posição da piscina no limite da encosta. Este eixo diagonal polariza a dinâmica espacial do conjunto neste sentido.

O desenho recortado do pátio é também o reflexo da organização dos espaços interiores que, sem abdicarem de um modelo clássico de salas independentes, estão interligados / cruzados de forma orgânica e fluída.

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A casa está organizada em dois pisos.

No piso térreo está contemplado o programa social.
A sala de estar é o centro. A ala nascente contém a sala de refeições, cozinha e pátio da cozinha. A ala poente contém o vestíbulo, sala de brincar e quarto. Ambos os lados espelham a condição topográfica que confrontam. Se por um lado o perfil ascendente (de norte para sul) da Rua da Fonte Velha obriga à existencia de um pátio para terminar o percurso em luz, do lado poente o desfecho é realizado com a grande abertura da sala de brincar que permite avistar o terreno e a encosta.

No piso superior um conjunto de varandas associadas aos quartos de forma individual, permitem que se possa desfrutar de um espaço exterior associado aos quartos. Todas as varandas se relacionam de forma diferente e especial com a paisagem, enriquecendo desta forma a vivência da casa.

Se no piso térreo a relação com o exterior é franca e controlada pelo estrangulamento final do pátio, no piso superior a sequência espacial é mais espaçada, querendo preservar a intimidade dos quarto com aberturas mais modestas e reservando para as varandas, naturalmente mais favorecidas pela posição alteada, o confronto com o território.

Data de projecto  

10/2016

Fase actual

Concurso de empreitada

Equipa:

Duarte Almeida – arquitectura

Bruno Antão – arquitectura

SPM Engenharia – especialidades